terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Resposta ao autor do vídeo “O Castelo do Diabo”



Um tal de Milton Silva tem publicado em massa um vídeo chamado “O Castelo do Diabo”, em que ele supostamente desvenda a “maior mentira do mundo”. A princípio, pelo nível de sua argumentação, achei que não valeria a pena tentar rebater, pois seria como bater em um cachorro morto. Mas pelo fato de algumas pessoas terem ficado curiosas, sedentas por uma resposta a isto, resolvi expor o meu posicionamento. Este homem, conforme testemunhou a pessoas, diz ter recebido revelações de Deus para dizer que Jesus Cristo não é o Filho de Deus. Eu poderia muita bem enfocar a pessoa dele, de seu nível gramatical e teológico, mas não quero cair em argumentos ad hominem, isto é, não quero me enforcar na pessoa dele, pois eu poderia cair numa falácia, mas pretendo discutir as ideias e princípios pelos quais se fundamentam as afirmações deste sujeito. Enfim, vamos lá!

Argumento I: Ele interpreta o livro de Apocalipse como se fosse uma verdade a ser desvendada

Okay. Qual o problema nisto? A princípio, nenhum. O que eu quis dizer com isto? Quis dizer que ele usa muitos textos de Apocalipse para tentar descobrir várias verdades a respeito de Jesus Cristo, como se ele fosse “a primeira besta”, a qual “se alimenta do sangue dos santos”, sendo um falso Deus, um deus criado, um mero ídolo. Qual o problema nisto? O problema é que isto é uma pura contradição. Por que? Basta lermos as primeiras palavras deste livro: Revelação de Jesus Cristo (ou: Apocalipse de Jesus Cristo, do grego: Ἀποκάλυψις Ἰησοῦ Χριστοῦ). Ou seja, trata-se de uma revelação proveniente do próprio Jesus Cristo. Se Jesus Cristo fosse uma criação humana, como ele argumenta, feito pela ICAR, sendo somente um ídolo, um deus de mentira, como ele poderia ter se comunicado através de uma revelação a João? Por uma questão de fé, aceitamos este testemunho como sendo verdadeiro, vindo de Deus, do próprio Jesus Cristo. Se ignorarmos esta premissa, não podemos considerar qualquer conteúdo desta revelação como sendo verdadeiro. Ou seja, não haveria nenhuma verdade de Deus se quem revelou estas coisas a João fosse uma mera criação. Logo, não se pode extrair algo a partir deste texto como: “a primeira besta” é Jesus, um falso Deus ao qual todo o mundo iníquo adorará. Aliás, seria uma grande contradição interpretar isto como sendo verdadeiro, sendo que o próprio livro, desde o princípio mostra Jesus dizendo: “Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Concluindo, é muita falta de noção asseverar a partir dos escritos do Novo Testamento que Jesus não é Filho de Deus, especialmente pelo livro de Apocalipse, o qual do começo ao fim afirma esta verdade.

Argumento II: A inquisição foi algo muito posterior aos primórdios do cristianismo

Seguindo seu argumento de que Jesus Cristo é "a primeira besta" de Apocalipse, que é casada com a grande prostituta (igreja criada por ele), que bebe o sangue dos santos, ele afirma que houve uma inquisição da igreja. Ele entende que "inquisição" é a "implantação de um falso deus", no caso, de Jesus Cristo, dando a entender que o cristianismo teve uma força para impor alguma coisa desde sua criação. Mas basta lermos e termos um pouco de noção da história do cristianismo, que então perceberemos que a situação não era bem assim. Desde o início da era cristã, o cristianismo foi tido como um movimento marginalizado. Foi considerado um movimento que em sua maioria era composta por escravos e até mesmo por mulheres (ambos vistos como meros objetos na sociedade imperial romana), pessoas pobres, camponeses, que aguardavam o reino e tinham sede da justiça de Deus - não nos esquecendo dos mais abastados, dos senhores, dos mestres da lei, dos políticos, etc. Tal movimento, o "do Caminho", o "do Nazareno" ou simplesmente o "cristianismo", foi perseguido de várias formas e por todos os lados, desde perseguições tópicos (em um local específico) até perseguições em massa (em vários locais do império). Perseguido pelos judeus (como até mesmo no caso de Saulo (o famoso apóstolo Paulo) antes de converter-se à fé em Jesus Cristo) até pelo Império Romano (como  no caso de Nero César, Diocleciano etc). O que houve de inquisição, em se tratando de cristianismo, remonta-se à Idade Média, muito depois de o cristianismo ter se tornado uma religião lícita com Constantino a partir do século IV ou de ter se tornado a religião oficial do Império Romano, antes da queda do mesmo, a partir de Teodósio I, no finalzinho também do século IV. Então, jamais se poderia dizer que o cristianismo quis se impor desde sua gênese como inquisitório, de modo que a "Igreja Católica" criou esse "deus falso" chamado Jesus Cristo, visto que nem mesmo o cristianismo era uma religião lícita até o quarto século, nem mesmo era institucionalizada, não tinha templos, não era politizada, não era reconhecida como oficial, não tinha força para fazer isso. Mas cremos que pelo poder do Espírito Santo muitos se converteram ouvindo a palavra de Deus, tendo a fé em Jesus Cristo como sendo o Filho eterno de Deus, incriado, sem mácula, mas sendo o sarador dos pecados da humanidade decaída com sua graça divina.

Argumento III: Jesus Cristo não pode ter sido uma invenção da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana)

Como eu disse acima, oficialmente, o cristianismo só vem a tornar-se uma religião lícita (do latim religio licita), isto é, uma religião permitida, a partir dos esforços do imperador Constantino. Antes disto, há uma longa história por trás. Histórias de sofrimentos, de conquistas, de mortes, de martírios - de Cristo aos apóstolos, dos primeiros convertidos a muitos outros cristãos. Se imaginarmos a hipótese de este "falso deus" ter sido imposto após o cristianismo ter alguma força política, precisamos nos remeter ao quarto século da era cristã, não podendo ser antes. Mas o fato é que antes da constantinopolização do cristianismo, de sua legalização, do término oficial [e oficioso] de perseguições, há muitos registros que comprovam que não tem como ter sido assim. Há milhares de manuscritos dos primeiros séculos da era cristã que foram preservados. Alguns poucos manuscrutos do Novo Testamento ainda do primeiro século, muitos do segundo e muitíssimos de a partir do terceiro século. Portanto, a igreja católica não pode ter inventado esta história de que Jesus é o filho de Deus. Pelo menos não eles como sendo reconhecidos como algo legítimo, pois os registros precedem em muito a sua gênese.

Argumento IV: Não preciso de mais argumentos, ele mesmo se condena

No vídeo, ele propõe  o seguinte raciocío acerca do número da besta descrito em Apocalipse 13.18:

"marca da besta.
6             6             6
pai filho e espírito santo!
Repare que são três títulos e três números , cada número representa um título que somado da 666." (sic)

Qual é a lógica disto? Por favor, alguém pode me explicar ou só eu estou achando que é uma grande forçação de barra? Depois desta, não sei porque continuo escrevendo. Não compensa querer tentar descobrir o significado disto à luz do contexto histórico vivido pelas comunidades de fé cristã em que tal texto sagrado foi inserido, como no caso de se somarem os algarismo para se chegar ao nome de Nero César, que foi um dos que perseguiram. E, de fato, qualquer argumento deste tipo teria muito mais respaldo do que qualquer suposta revelação que venha dizer que Jesus Cristo não é o Filho de Deus.

Texto para a meditação:

"E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo". (I João 4.3)

Com muito prazer,

Wesley Weiss

2 comentários:

Anônimo disse...

Conhecendo a Verdade, ela passa a nos libertar e a abrir nossas mentes para o discernimento espiritual e a fé inabalável em Deus. Obrigado mais uma vez. Excelente explicação.

sandra regina bastos medeji disse...

A minha resposta ao autor do vídeo "O Castelo do diabo": Jó 11.12 Mas o homem estúpido se tornará sábio, quando a cria de um asno montês nascer homem.

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